Poucos filmes conseguem representar uma época com tanta facilidade quanto Space Jam. Lançado originalmente em 1996, o encontro entre Michael Jordan e os personagens dos Looney Tunes nasceu de uma combinação que parecia improvável até mesmo para Hollywood, reunindo basquete profissional, animação, publicidade e uma estrela esportiva cuja imagem já ultrapassava os limites das quadras.
Trinta anos depois, o filme retorna aos cinemas brasileiros em 15 de outubro, oferecendo uma oportunidade de revisitar uma produção que talvez seja tão interessante pelo momento cultural em que surgiu quanto pela história que apresenta.
Uma época em que publicidade também virava cinema
Space Jam foi construído num período em que grandes marcas, atletas e personagens animados passaram a ocupar posições centrais dentro de estratégias comerciais cada vez mais elaboradas.
Jordan já era uma figura mundial, enquanto Pernalonga e seus companheiros carregavam décadas de reconhecimento.
Colocar esses universos no mesmo filme permitiu transformar duas formas diferentes de entretenimento numa experiência que procurava atingir crianças, famílias e fãs de basquete.
O resultado possui a artificialidade visual típica de sua época, especialmente nas cenas em que personagens reais e animados dividem o mesmo ambiente. Mas existe algum charme nessa aparência, justamente porque ela revela as ferramentas utilizadas por um cinema que ainda estava descobrindo novas possibilidades digitais.
Nostalgia não precisa ser um defeito
Rever Space Jam hoje talvez produza uma experiência diferente daquela de assistir ao filme na infância.
Parte do humor envelheceu, determinadas decisões narrativas parecem muito ligadas aos anos 1990 e sua relação com publicidade é bastante evidente.
Ainda assim, esses elementos também fazem parte de sua identidade.
O relançamento funciona como uma oportunidade de observar uma produção que se tornou memória afetiva para uma geração e registro cultural para outra.

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