Em 2015, o Wu-Tang Clan colocou uma única cópia de Once Upon a Time in Shaolin à venda. O disco deixou de ser apenas música e passou a ocupar um território confuso entre obra de arte, provocação ao mercado e objeto de disputa. The Disciple, lançado hoje na Netflix, retorna ao caminho que levou o álbum até ali.
O documentário acompanha Tarik Azzougarh, conhecido como Cilvaringz. Nascido nos Países Baixos e filho de imigrantes marroquinos, ele saiu da condição de fã para entrar no círculo criativo do grupo. A aproximação com RZA abriu espaço para uma ideia que levaria anos de gravação e terminaria cercada por controvérsia.
Um disco que quase ninguém ouviu
Once Upon a Time in Shaolin foi concebido como peça única. A proposta questionava o valor atribuído à música num período marcado pela distribuição digital, mas a venda para Martin Shkreli alterou completamente a conversa. O comprador já era uma figura rejeitada publicamente, e o destino do álbum passou a importar tanto quanto as faixas guardadas dentro dele.
A diretora Joanna Natasegara organiza a história a partir do percurso de Cilvaringz. O ponto de vista ajuda a observar ambição, pertencimento e os limites de quem entra numa estrutura cultural construída muito antes de sua chegada.
RZA participa da produção
RZA aparece entre os produtores executivos do longa. A presença oferece acesso a uma parte central da história, enquanto o documentário também precisa lidar com as contradições que surgiram dentro e fora do grupo depois da venda.
The Disciple está disponível na Netflix. Mais do que prometer respostas definitivas sobre o disco, o filme acompanha como uma ideia sobre exclusividade virou um dos episódios mais estranhos da indústria musical recente.

Entre para comentar e avaliar
Crie sua conta para participar da comunidade do Fora do Quadro.
Entrar