A relação entre cinema e videogame mudou bastante desde a época em que adaptações eram frequentemente tratadas como curiosidades destinadas apenas aos jogadores.

Hoje, grandes estúdios encontram em propriedades dos games personagens, mundos e audiências capazes de sustentar campanhas globais.

Street Fighter, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 15 de outubro, tenta participar desse movimento recuperando uma das franquias de luta mais reconhecíveis da indústria.

Dirigido por Kitao Sakurai, o filme acompanha Ryu e Ken Masters, interpretados por Andrew Koji e Noah Centineo, que voltam a se encontrar depois de uma separação marcada por conflitos.

A chegada de Chun-Li, vivida por Callina Liang, conduz os personagens até um torneio que esconde interesses muito maiores do que a própria competição.

O desafio de transformar personagens em pessoas

Jogos de luta possuem uma vantagem visual evidente: cada personagem foi desenvolvido para ser reconhecido rapidamente através de aparência, movimentos e comportamento.

No cinema, porém, essa identificação precisa conviver com motivações capazes de sustentar uma narrativa de longa-metragem.

Reproduzir figurinos ou golpes famosos não é suficiente para construir relações dramáticas.

O filme também reúne Jason Momoa como Blanka, David Dastmalchian como M. Bison e Cody Rhodes como Guile, ampliando um elenco que procura recuperar boa parte do imaginário associado à franquia.

Nostalgia pode abrir a porta, mas não sustenta o filme inteiro

A produção é ambientada em 1993, escolha que aproxima a narrativa do período em que Street Fighter II ocupava uma posição central nos fliperamas.

Existe um potencial afetivo nessa decisão, principalmente para espectadores que conheceram os personagens através de consoles e máquinas de arcade.

Ainda assim, o filme precisará encontrar alguma coisa própria para oferecer.

A recepção crítica inicial dividida desloca a discussão para o principal desafio da adaptação: transformar o reconhecimento imediato dos personagens em uma narrativa que funcione além da nostalgia.