Há séries que chegam à sexta temporada parecendo uma versão pálida daquilo que foram no começo.
Slow Horses chegou até aqui parecendo ainda mais segura da própria identidade.
Isso talvez seja resultado de uma decisão bastante simples: a série nunca teve vergonha de saber exatamente o que é.
Os agentes de Slough House continuam trabalhando no departamento do MI5 reservado àqueles que cometeram erros suficientemente graves para destruir suas carreiras sem necessariamente serem demitidos. Jackson Lamb continua tratando praticamente todas as pessoas ao redor com uma combinação impressionante de inteligência, desprezo e falta de higiene. River Cartwright continua tentando provar que não pertence àquele lugar.
A base não mudou radicalmente.
O contexto muda.
Gary Oldman não precisa tornar Lamb agradável
Uma das melhores decisões de Slow Horses continua sendo resistir à necessidade de explicar completamente Jackson Lamb.
Televisão adora transformar personagens difíceis em pessoas secretamente adoráveis quando passa tempo suficiente com elas. Lamb possui lealdades, princípios e uma inteligência muito clara, mas a série não usa essas características para apagar aquilo que há de desagradável nele.
Gary Oldman compreendeu desde o início que charme não precisava significar simpatia.
O resultado é um personagem capaz de dominar uma cena praticamente parado, muitas vezes parecendo menos interessado no perigo do que todos ao redor, mesmo quando já entendeu a situação antes deles.
A sexta temporada adapta material dos livros Joe Country e Slough House, de Mick Herron, e trouxe também o retorno de Sid Baker, personagem de Olivia Cooke.
A volta não funciona apenas como fan service porque existe história não resolvida o suficiente para justificar sua presença.
A série continua rápida porque sabe onde não perder tempo
Slow Horses raramente tenta parecer maior do que precisa.
Os episódios não possuem a obrigação de transformar cada temporada numa ameaça global maior que a anterior, e isso permite que espionagem continue parecendo trabalho realizado por pessoas, e não apenas uma coleção de conspirações gigantescas.
Existe ação, há assassinatos e operações de alto risco, mas boa parte da tensão nasce de burocracia, rivalidade institucional, decisões ruins e do fato de que agentes de inteligência continuam sendo seres humanos perfeitamente capazes de cometer erros banais.
A sexta temporada mantém 100% de aprovação crítica no Rotten Tomatoes neste momento, uma marca que diz menos sobre perfeição absoluta e mais sobre o nível impressionante de confiança que a série construiu.
Slow Horses não parece ansiosa para virar fenômeno cultural.
Talvez isso seja parte da razão pela qual continua tão boa.
Num streaming em que séries frequentemente desaparecem depois de duas temporadas ou tentam se reinventar completamente para continuar relevantes, acompanhar uma produção que simplesmente conhece seus personagens, seu ritmo e seu mundo acaba parecendo quase radical.

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