O cinema de Karim Aïnouz sempre demonstrou interesse por personagens cuja relação com desejo, pertencimento e identidade produz conflitos difíceis de organizar através de respostas simples.
Em Rosebush Pruning, que estreia nos cinemas brasileiros em 15 de outubro, o diretor desloca esse olhar para uma família americana extremamente rica que vive isolada numa propriedade na Catalunha.
O elenco reúne Elle Fanning, Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Pamela Anderson e Tracy Letts, numa produção escrita por Efthimis Filippou.
A premissa acompanha irmãos que vivem cercados por conforto material, mas possuem relações familiares marcadas por ressentimentos, dependência emocional e acontecimentos que permanecem escondidos.
A riqueza como forma de isolamento
Existe algo particularmente interessante na escolha de uma família que aparentemente não precisa se preocupar com quase nada além de si mesma.
Dinheiro oferece proteção contra determinados problemas, mas não elimina conflitos afetivos, inseguranças ou relações de poder que se desenvolvem dentro de casa.
Ao contrário, pode criar condições para que comportamentos destrutivos continuem existindo durante muito tempo sem enfrentar consequências externas.
A chegada de uma nova pessoa à família ameaça esse equilíbrio, provocando tensões que colocam em risco a maneira como seus integrantes aprenderam a conviver.
Karim Aïnouz e o desconforto
Depois de trabalhos como A Vida Invisível e Motel Destino, o diretor continua construindo uma filmografia que não parece especialmente interessada em personagens organizados para agradar ao público.
O novo filme oferece a possibilidade de observar esse interesse dentro de uma sátira internacional, com um elenco numeroso e uma direção de arte ligada à aparência de sofisticação.
A recepção crítica inicial foi bastante dividida, o que torna ainda mais importante distinguir a proposta do filme de uma avaliação pessoal definitiva.
Rosebush Pruning chega aos cinemas oferecendo uma família que parece possuir tudo. O interesse está em descobrir quanto dessa abundância consegue esconder aquilo que seus personagens não sabem resolver.

Entre para comentar e avaliar
Crie sua conta para participar da comunidade do Fora do Quadro.
Entrar