Uma mulher vive numa comunidade costeira onde sua condição de solteira se tornou motivo de comentários e constrangimentos. Cansada de corresponder às expectativas alheias, decide encomendar um marido feito de vime.
A premissa de Wicker parece nascer de algum conto popular particularmente estranho, mas oferece espaço para uma discussão bastante reconhecível sobre pertencimento, desejo e a necessidade social de transformar determinados modelos de relacionamento em obrigação.
Olivia Colman interpreta a protagonista, enquanto Alexander Skarsgård assume a figura de seu marido artificial. Peter Dinklage vive o artesão responsável pela criação, e Elizabeth Debicki também integra o elenco.
O filme é dirigido por Alex Huston Fischer e Eleanor Wilson, responsáveis pelo roteiro, e possui fotografia de Lol Crawley.
O absurdo como caminho para uma experiência humana
Histórias fantásticas frequentemente conseguem explorar comportamentos cotidianos justamente porque retiram seus personagens das condições normais da realidade.
Em Wicker, a possibilidade de encomendar literalmente um parceiro permite observar o casamento através de uma ideia levada ao extremo.
Se uma pessoa pudesse construir o companheiro ideal, quais características escolheria? E quanto dessa escolha estaria relacionado ao desejo verdadeiro ou à necessidade de corresponder às expectativas de outras pessoas?
A premissa também parece interessada na maneira como comunidades vigiam comportamentos considerados diferentes.
Uma fantasia para além do romance convencional
O filme integrou a programação do BFI London Film Festival, com sessões públicas realizadas durante outubro.
Sua proposta combina comédia, fantasia e romance dentro de uma estética próxima dos contos tradicionais, mas aparentemente disposta a explorar contradições bastante contemporâneas.
Há uma diferença importante entre conhecer a premissa e avaliar a experiência cinematográfica completa. Wicker chega cercado de curiosidade e de uma ideia visual forte, mas qualquer crítica pessoal precisará partir da obra assistida.
Por enquanto, já existe algo atraente em sua proposta: utilizar um marido feito de vime para observar a maneira como seres humanos continuam tentando definir aquilo que deveria ser o amor.

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