O Segredo de Widow’s Bay começa com uma preocupação que parece pequena demais para uma série de horror: turismo.
Tom Loftis, prefeito de uma ilha da Nova Inglaterra, quer convencer as pessoas de que aquele lugar pode se transformar num destino turístico relevante. O problema é que os moradores insistem em histórias sobre maldições, fenômenos estranhos e coisas que qualquer profissional de marketing preferiria retirar do folheto.
A graça nasce dessa incompatibilidade.
Matthew Rhys interpreta um homem determinado a vender normalidade enquanto a própria série encontra cada vez mais prazer em demonstrar que normalidade talvez seja a única coisa que Widow’s Bay não consegue oferecer.
O horror funciona porque ninguém abandona a comédia
Misturar gêneros virou um elogio tão comum que às vezes não significa muita coisa.
Widow’s Bay realmente depende dessa mistura.
Se o elemento sobrenatural fosse tratado apenas como piada, a tensão desapareceria. Se a série abandonasse a comédia para se tornar horror convencional, perderia aquilo que torna a ilha particular.
Katie Dippold encontra um equilíbrio em que personagens podem estar genuinamente assustados e, ainda assim, permanecer presos a problemas administrativos ridiculamente mundanos.
Hiro Murai, responsável por parte fundamental da linguagem visual da temporada, ajuda a tornar a ilha bonita e desconfortável ao mesmo tempo.
É um lugar que alguém poderia querer visitar.
Também é um lugar do qual talvez fosse melhor sair antes do pôr do sol.
O Emmy transformou a surpresa em fenômeno
A primeira temporada chegou à premiação como uma das grandes novidades do ano e saiu ainda maior.
Foram 14 vitórias no total, incluindo Melhor Série de Comédia, fazendo da produção uma das estreantes mais premiadas da história do Emmy.
A Apple também terminou a edição com seu melhor desempenho até hoje.
Prêmios não transformam automaticamente uma série em boa televisão, mas podem alterar completamente sua posição cultural. Widow’s Bay deixou de ser apenas aquela produção estranha que misturava prefeitura, turismo e maldição e passou a ocupar um espaço muito mais central na conversa.
A segunda temporada já havia sido confirmada antes mesmo do encerramento da primeira.
Agora existe um novo problema.
Surpresa não pode acontecer duas vezes da mesma maneira.
A primeira temporada se beneficiou da sensação de descobrir que aquela mistura improvável realmente funcionava. A próxima precisará provar que Widow’s Bay possui histórias suficientes para continuar existindo depois que todos já sabem que a ilha é estranha.
Pelo menos uma coisa parece garantida.
O prefeito continuará tentando convencer as pessoas do contrário.

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