Questionar uma instituição da qual fazemos parte pode ser uma experiência muito mais complicada do que confrontá-la do lado de fora.

Existe pertencimento, história pessoal e uma relação com pessoas que talvez não compartilhem das mesmas dúvidas. A discordância deixa de ser apenas intelectual quando coloca em risco vínculos construídos durante anos.

É nesse território que O Policial e a Pastora, documentário dirigido por Alice Riff, desenvolve sua proposta.

O filme acompanha Alexandre Felix Campos e Valeria Cristina Vilhena, personagens ligados a instituições que ocupam posições importantes dentro da sociedade brasileira, mas que passaram a questionar ideias e comportamentos associados a esses espaços.

A câmera também participa da relação

Documentários que acompanham pessoas reais precisam lidar com uma responsabilidade particular: a presença da equipe de filmagem altera, em alguma medida, a situação registrada.

Em O Policial e a Pastora, essa relação integra o próprio projeto, já que os protagonistas também estabelecem condições e questionamentos sobre a maneira como suas imagens serão apresentadas.

A proposta cria espaço para observar não apenas as instituições, mas também a relação de confiança necessária para que uma pessoa permita a outra registrar sua vida.

Um documentário sobre conflito e pertencimento

O longa chega às salas brasileiras em 15 de outubro e oferece uma discussão que não depende da presença da redação em exibições antecipadas.

As informações públicas sobre sua proposta já permitem observar um assunto relevante: a dificuldade de permanecer dentro de determinada estrutura quando suas convicções entram em conflito com aquilo que ela representa.

O resultado final dependerá da maneira como Alice Riff organiza essas experiências, mas o filme chega com uma pergunta reconhecível para pessoas de diferentes contextos.

Até onde alguém consegue transformar uma instituição antes de precisar decidir se ainda deseja fazer parte dela?