Em 2010, A Rede Social parecia assustadoramente atual.

Hoje, parece quase história antiga.

O filme de David Fincher terminou quando Facebook ainda podia ser observado principalmente como história de fundação, ambição, amizade destruída e poder tecnológico emergente.

O Outro Lado das Redes começa num lugar completamente diferente.

Aaron Sorkin, roteirista do original, agora também assume a direção e desloca o foco para Frances Haugen, engenheira interpretada por Mikey Madison, e Jeff Horwitz, jornalista vivido por Jeremy Allen White.

A narrativa acompanha o processo que levou aos Facebook Files e à exposição de documentos internos da empresa.

O problema de filmar uma história que ainda está acontecendo

Jeremy Strong assume Mark Zuckerberg, substituindo Jesse Eisenberg, e essa troca já deixa evidente que Sorkin não está tentando simplesmente reproduzir A Rede Social.

Seria impossível.

A questão mudou.

Em 2010, havia fascínio pela construção de uma nova forma de comunicação. Em 2026, qualquer filme sobre Meta precisa lidar com desinformação, radicalização, saúde mental, algoritmos, moderação e o poder político de plataformas utilizadas por bilhões de pessoas.

É um território muito menos romântico.

As primeiras críticas, publicadas nesta semana, estão divididas. Há elogios ao elenco, ao texto e à relevância jornalística, mas também uma sensação repetida de que Sorkin explica demais e que a ausência da precisão visual de Fincher pesa.

A comparação talvez seja injusta.

Também é inevitável.

Cinema e jornalismo olhando para a mesma máquina

O elemento potencialmente mais interessante está na escolha de colocar uma fonte e um repórter no centro.

A história deixa de ser apenas sobre aquilo que Facebook fez e passa a ser também sobre como informações internas se transformam em reportagem pública.

Isso coloca jornalismo, documentação e poder institucional na mesma narrativa.

O Outro Lado das Redes integra a programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o que oferece ao público brasileiro uma oportunidade de entrar cedo nessa discussão.

A Rede Social perguntava quem poderia dizer que criou o Facebook.

Dezesseis anos depois, essa parece quase uma questão inocente.