Há um tipo de suspense criminal que depende da identidade do assassino.

Noturno parece escolher uma relação diferente.

Sabemos quem representa a ameaça.

Stephen Graham interpreta Jurek Walter, e a presença do ator já sugere que a série está menos interessada em esconder o perigo do que em observar aquilo que acontece quando outras pessoas precisam se aproximar dele.

Liev Schreiber vive Jonah Lynn, ex-soldado que se tornou detetive de homicídios e abandona a violência das ruas da Filadélfia buscando uma vida mais tranquila numa pequena cidade da Pensilvânia.

Naturalmente, a tranquilidade dura pouco.

Uma adaptação de Lars Kepler com espaço para respirar

A série utiliza como base romances da dupla sueca que escreve sob o nome Lars Kepler, especialmente O Hipnotista, Lazarus e O Homem de Areia dentro do universo de Joona Linna.

A adaptação reorganiza parte desse material para a televisão americana e coloca Saga Bauer, interpretada por Zazie Beetz, como agente do FBI ligada diretamente à investigação.

São dez episódios.

Isso importa porque histórias desse tipo podem sofrer quando transformadas num filme de duas horas, principalmente quando o interesse está menos na descoberta de uma pista e mais na deterioração psicológica provocada pela investigação.

Tim Van Patten dirige os primeiros episódios, enquanto Rowan Joffé e John Hlavin estão entre os responsáveis pela adaptação.

Stephen Graham virou garantia de desconforto

Graham possui uma capacidade rara de parecer completamente comum até o instante em que alguma coisa muda.

É uma qualidade perfeita para Jurek.

Vilões de thrillers frequentemente perdem força quando o roteiro precisa demonstrar o tempo inteiro o quanto são perigosos. Graham não necessita dessa insistência.

Ele consegue criar ameaça através de comportamento, voz e principalmente da impressão de que existe pensamento acontecendo antes da fala.

Noturno estreia mundialmente em 30 de outubro.

Ainda é cedo para dizer se a série conseguirá escapar das convenções de serial killer que a televisão repete há décadas.

O elenco, pelo menos, sugere uma razão bastante boa para descobrir.