A Netflix divulgou nesta terça-feira, 13 de outubro, o primeiro trailer oficial de Nárnia: O Sobrinho do Mago, filme escrito e dirigido por Greta Gerwig que marca o retorno ao cinema do universo criado por C. S. Lewis. A prévia apresenta uma aventura visualmente ambiciosa, em que uma Londres sombria dá lugar a florestas misteriosas, mundos desconhecidos e à promessa de testemunhar o nascimento de um dos lugares mais importantes da literatura fantástica.

Depois de Lady Bird, Adoráveis Mulheres e Barbie, Gerwig assume uma produção de escala consideravelmente maior, mas encontra no material original uma oportunidade de explorar temas que já atravessaram seu cinema, especialmente a relação entre infância, imaginação e a maneira como descobrimos nossa identidade diante de um mundo que parece grande demais para ser compreendido.

O novo filme adapta O Sobrinho do Mago, publicado em 1955, que apresenta acontecimentos anteriores aos de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. A escolha permite que o público conheça Nárnia desde sua origem, sem depender necessariamente das adaptações cinematográficas lançadas entre 2005 e 2010.

Uma aventura que começa antes do guarda-roupa

A história acompanha Digory Kirke e Polly Plummer, interpretados por David McKenna e Beatrice Campbell, duas crianças que descobrem a existência de outros mundos depois de entrarem em contato com anéis mágicos pertencentes ao excêntrico Tio André, personagem de Daniel Craig.

O trailer apresenta parte dessa descoberta, incluindo o Bosque Entre os Mundos, uma paisagem misteriosa que funciona como passagem entre diferentes realidades. A ambientação contrasta com os espaços urbanos inicialmente apresentados, estabelecendo uma diferença visual entre a familiaridade do cotidiano e a estranheza de lugares que parecem funcionar segundo regras próprias.

Emma Mackey interpreta Jadis, a Feiticeira Branca, enquanto Meryl Streep assume a voz de Aslam. Carey Mulligan, Ciarán Hinds, Denise Gough, Kobna Holdbrook-Smith e Susan Wokoma também integram o elenco.

A presença desses personagens cria uma conexão imediata com a mitologia conhecida pelo público, mas a proposta de Gerwig parece interessada em apresentar a história através da curiosidade dos protagonistas, colocando duas crianças diante de acontecimentos cuja importância elas ainda não conseguem compreender completamente.

Greta Gerwig aposta na música para apresentar um novo universo

Um dos elementos mais marcantes da prévia está na escolha musical. Em vez de recorrer exclusivamente a uma composição orquestral tradicional, o trailer utiliza Stairway to Heaven, do Led Zeppelin, criando uma combinação inesperada entre rock clássico e fantasia épica.

A escolha ajuda a estabelecer uma identidade diferente daquela associada às adaptações anteriores. Gerwig já havia comentado seu interesse em construir uma experiência grandiosa e musicalmente expressiva, aproximando a criação de Nárnia de uma espécie de espetáculo operístico.

Essa proposta encontra uma relação direta com o romance de Lewis, no qual a criação do mundo fantástico está profundamente associada à música e à presença de Aslam.

A produção reúne Seamus McGarvey na direção de fotografia, Jacqueline Durran no figurino, James Chinlund no design de produção e Andrew Weisblum, Nick Houy e Wyatt Smith na montagem. É uma equipe que sugere atenção não apenas à dimensão dos efeitos visuais, mas também à construção física e estética dos ambientes apresentados.

Assista ao trailer oficial

O retorno de Nárnia também representa uma aposta nos cinemas

Embora seja uma produção desenvolvida para a Netflix, Nárnia: O Sobrinho do Mago terá uma janela de exibição cinematográfica antes de chegar ao streaming. A estreia nos cinemas está marcada para 11 de fevereiro de 2027, com prévias exclusivas em IMAX a partir de 10 de fevereiro.

A Netflix distribuirá o filme nos Estados Unidos, enquanto a Sony Pictures Entertainment ficará responsável pelo lançamento fora da América do Norte. A estratégia demonstra a importância atribuída à experiência de assistir ao filme numa sala de cinema, especialmente num momento em que produções de grande orçamento frequentemente chegam diretamente às plataformas digitais.

Gerwig construiu sua carreira demonstrando interesse por histórias que encontram emoção dentro de acontecimentos aparentemente cotidianos. Em Nárnia, terá a oportunidade de trabalhar com algo muito diferente em escala, mas não necessariamente em sensibilidade.

Talvez seja justamente essa a possibilidade mais interessante da nova adaptação. O universo de Lewis não depende apenas de criaturas fantásticas, batalhas ou paisagens grandiosas para funcionar, porque também está ligado à capacidade infantil de reconhecer mistério em lugares que os adultos aprenderam a considerar comuns.

O primeiro trailer ainda não permite avaliar o resultado do filme, mas apresenta uma direção visual definida e a intenção de transformar a origem de Nárnia numa experiência cinematográfica própria.

A história de C. S. Lewis já foi contada de diferentes maneiras. Agora, Greta Gerwig pretende começar por aquilo que veio antes de todas elas, quando Nárnia ainda não existia e a possibilidade de um mundo inteiro nascer parecia algo que somente duas crianças poderiam acreditar.