Londres começa hoje a viver uma das semanas mais densas do calendário cinematográfico.
A 70ª edição do BFI London Film Festival acontece entre 7 e 18 de outubro com 251 títulos entre longas, curtas, séries e experiências imersivas vindos de 88 países.
É o tipo de programação que torna qualquer tentativa de “assistir a tudo” completamente inútil.
Talvez esse seja justamente o charme.
Festivais grandes não existem para oferecer uma lista de tarefas.
Funcionam como mapas temporários do cinema que está circulando naquele momento.
Um festival entre descoberta e consagração
Elsinore, de Simon Stone, abre a edição, enquanto The Debut, de Jesse Eisenberg, encerra a programação.
No meio do caminho, o festival recebe títulos novos de cineastas como Luca Guadagnino, Paul Thomas Anderson, Jonathan Glazer, James Gray e Hirokazu Koreeda.
Há ainda uma programação extensa de Screen Talks com Sofia Coppola, Danny Boyle, Ava DuVernay, Robert Eggers, Javier Bardem, Andrew Scott, Cynthia Erivo, Brad Bird e outros nomes.
Essas conversas importam porque festivais não são apenas lugares onde filmes são projetados.
São lugares onde cinema começa a ganhar contexto.
Uma obra encontra crítica, público, distribuidor e, muitas vezes, a primeira narrativa que acompanhará sua trajetória durante meses.
A temporada de prêmios passa por Londres, mas não termina nela
O LFF ocupa uma posição estratégica depois de Veneza, Toronto e Nova York e antes do período mais agressivo das campanhas de fim de ano.
Isso significa que vários filmes chegam a Londres com algum tipo de reputação já construída.
Outros aparecem procurando exatamente isso.
A competição oficial possui dez títulos de diferentes países, e o vencedor será anunciado em 18 de outubro.
Para quem acompanha cinema do Brasil, não é necessário estar fisicamente em Londres para que o festival importe.
A cobertura internacional, as primeiras críticas e os acordos de distribuição ajudam a definir quais produções chegarão ao nosso circuito nos meses seguintes.
Festival não é apenas tapete vermelho.
Também é infraestrutura de circulação.
Durante doze dias, parte significativa do cinema que veremos em 2027 estará tentando encontrar seu lugar agora.

Entre para comentar e avaliar
Crie sua conta para participar da comunidade do Fora do Quadro.
Entrar