Hope começa num lugar que Na Hong-jin conhece bem: uma comunidade pequena diante de alguma coisa que não consegue explicar.

A partir daí, praticamente tudo cresce.

Uma criatura desconhecida ameaça uma vila, policiais e moradores tentam reagir, a comunicação é interrompida e aquilo que poderia funcionar como um filme de monstro progressivamente ganha escala de ficção científica.

Hwang Jung-min, Zo In-sung e Hoyeon ocupam o núcleo coreano, enquanto Michael Fassbender, Alicia Vikander, Taylor Russell e Cameron Britton integram uma produção que levou anos para ser realizada.

É o primeiro longa de Na desde O Lamento, lançado em 2016.

Um filme coreano com escala de blockbuster

Hope custou o equivalente a dezenas de milhões de dólares e se transformou numa das produções mais caras da história do cinema sul-coreano.

A dimensão aparece na tela, mas o diretor não abandona completamente aquilo que sempre tornou seu cinema particular.

O perigo nunca vem sozinho. Ele chega acompanhado por desconfiança, decisões ruins, medo coletivo e pela incapacidade dos personagens de concordarem sobre aquilo que estão enfrentando.

Esse é o espaço em que Na trabalha melhor.

A ameaça externa existe, mas a maneira como seres humanos respondem a ela pode ser tão destrutiva quanto o próprio fenômeno.

Cannes, bilheteria e uma recepção dividida pelo excesso

O filme entrou na competição de Cannes, recebeu forte atenção internacional e posteriormente levou mais de 4,5 milhões de espectadores aos cinemas sul-coreanos.

A resposta crítica foi positiva, mas não completamente consensual. Hope mantém aprovação próxima de 80% no Rotten Tomatoes, e parte das reações celebra justamente aquilo que incomodou outros críticos: sua duração, mudanças bruscas de tom e disposição de misturar gêneros sem pedir licença.

Talvez seja difícil imaginar resultado diferente vindo de Na Hong-jin.

O diretor nunca pareceu interessado em filmes que se comportassem bem.

Hope é grande, estranho e aparentemente disposto a perder parte do público no caminho para chegar onde quer.

Num cinema cada vez mais preocupado em produzir experiências imediatamente classificáveis, já existe algum mérito em fazer um blockbuster que ainda consegue parecer imprevisível.