Durante anos, universos compartilhados foram construídos em torno de uma ideia visual simples: todos os filmes precisavam parecer parte da mesma coisa.
Cara-de-Barro aponta para outra direção.
James Watkins dirige, Mike Flanagan criou a história e divide o roteiro final com Hossein Amini, enquanto Matt Reeves, James Gunn, Peter Safran e Lynn Harris estão entre os produtores.
Tom Rhys Harries interpreta Matt Hagen, um jovem de Gotham cuja ascensão de garoto de rua a ator de Hollywood é destruída quando ele fica brutalmente desfigurado. Um tratamento experimental devolve sua aparência, mas altera também seu corpo, sua mente e aquilo que entende como identidade.
É um filme da DC.
Também é, declaradamente, terror.
Um vilão de Batman sem depender de Batman
Essa talvez seja a decisão mais importante.
Cara-de-Barro possui décadas de história nos quadrinhos e animações, mas construir o longa ao redor de Hagen permite que Gotham seja observada por outro ângulo.
Não é necessário colocar Batman no centro para justificar a existência daquele mundo.
Hollywood também se torna parte fundamental da ideia.
Um ator depende literalmente do próprio rosto para existir profissionalmente, perde esse rosto e posteriormente conquista a capacidade de transformá-lo de maneiras impossíveis.
Terror corporal e indústria da imagem praticamente se encontram sozinhos.
O DCU pode realmente ter gêneros?
James Gunn repetiu desde o início que não pretende transformar o novo universo DC numa sequência de filmes com a mesma voz.
Cara-de-Barro é a oportunidade mais clara de provar isso.
James Watkins dirigiu Speak No Evil e possui experiência com suspense e horror psicológico. Rob Hardy, diretor de fotografia de trabalhos como Civil War e Missão: Impossível, está na equipe visual, enquanto Volker Bertelmann assina a trilha.
O filme é distribuído pela Warner Bros. e começa a chegar aos cinemas internacionais em 21 de outubro.
Se funcionar, o impacto pode ser maior do que o desempenho de um personagem isolado.
Significaria que um universo de super-heróis pode abrigar terror corporal sem precisar transformar terror corporal em “filme de herói com algumas cenas assustadoras”.
Depois de tantos anos em que universos compartilhados ensinaram produções diferentes a parecer iguais, permitir que um vilão derreta fora do molde talvez seja exatamente o que a DC precisa.

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