Interpretar uma pessoa real costuma exigir que atores estudem entrevistas, comportamentos e acontecimentos capazes de oferecer alguma compreensão sobre a figura que vão representar. Para Andrew Garfield, assumir o papel de Sam Altman em Artificial, novo filme de Luca Guadagnino, também produziu mudanças fora do trabalho.
Em entrevista publicada nesta quinta-feira pela Variety, o ator contou que deixou de utilizar o ChatGPT da maneira como fazia anteriormente, quando recorria à ferramenta principalmente para procurar informações.
Segundo Garfield, o contato mais aprofundado com o universo da inteligência artificial durante a preparação para o longa despertou insegurança sobre as capacidades e os limites dessas tecnologias.
Um filme sobre uma crise ainda recente
Artificial acompanha acontecimentos ligados à saída de Sam Altman do comando da OpenAI em novembro de 2023 e às negociações que levaram ao seu retorno poucos dias depois.
A história possui elementos conhecidos de drama corporativo, com decisões de conselho, disputas de poder e pressões institucionais, mas se diferencia por tratar de uma indústria cuja influência continua mudando rapidamente.
Guadagnino transforma esse episódio numa narrativa cinematográfica quando a própria discussão pública sobre inteligência artificial permanece aberta.
A escolha de Garfield também é interessante porque coloca o ator diante de uma figura ainda ativa e amplamente presente na cobertura de tecnologia.
A preparação que ultrapassou o personagem
Na entrevista, Garfield descreveu uma relação de desconfiança crescente com a tecnologia depois de aprofundar seu contato com o assunto.
O comentário não representa uma conclusão técnica sobre segurança de sistemas de inteligência artificial, mas oferece uma perspectiva sobre o impacto cultural do tema em profissionais que passaram a investigá-lo para fins artísticos.
Artificial ganha, com isso, outra dimensão de interesse. O filme não trata apenas de quem controlava determinada empresa em 2023, porque também participa de uma conversa sobre a maneira como essas ferramentas passaram a ocupar espaços cotidianos, criativos e profissionais.
A produção ainda precisa ser julgada como cinema, mas o debate ao redor dela já demonstra que sua história ultrapassa o período que pretende retratar.
Ao interpretar alguém diretamente associado à expansão da inteligência artificial, Garfield acabou encontrando perguntas que continuaram acompanhando sua vida depois que as câmeras foram desligadas.

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