O cinema sul-coreano conquistou uma posição particularmente interessante na cultura internacional durante as últimas décadas. Filmes como Parasita, Oldboy e Em Chamas ajudaram a ampliar sua circulação, enquanto séries e produções musicais consolidaram uma presença cultural muito maior do que aquela que o país ocupava no mercado audiovisual global anteriormente.
A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que começa nesta quinta-feira, 15 de outubro, oferece uma oportunidade de observar parte dessa produção para além de seus títulos mais populares.
A seleção reúne seis filmes sul-coreanos, incluindo Amor Possível, novo trabalho de Lee Chang-dong, cineasta que retorna depois de um intervalo de oito anos desde Em Chamas.
O retorno de Lee Chang-dong
A presença de Lee possui importância particular porque seu cinema frequentemente encontra conflitos sociais através de personagens cujas experiências pessoais parecem pequenas diante de estruturas muito maiores.
Seus filmes se interessam por memória, culpa e relações humanas atravessadas por questões políticas e econômicas, sem transformar esses temas em explicações simplificadas.
O retorno à direção representa, portanto, uma oportunidade importante para espectadores que acompanham o cinema coreano contemporâneo.
Hong Sang-soo e as novas vozes
A programação também inclui O Dia em que Ela Volta e Onde Repousar Meus Olhos, de Hong Sang-soo, este último reconhecido com prêmios no Festival de Locarno.
O diretor construiu uma filmografia marcada por encontros, conversas e personagens que frequentemente revelam mais sobre si mesmos enquanto tentam falar sobre coisas aparentemente banais.
A seleção ainda abre espaço para realizadoras como Jeong Ji-hye, responsável por Lua Cheia, e July Jung, diretora de Dora.
A presença de diferentes gerações e propostas ajuda a impedir que o cinema de um país seja resumido a um único estilo.
A Mostra como possibilidade de descoberta
Os filmes integram a programação pública do festival, com sessões e ingressos disponíveis pelos canais oficiais da organização.
Para quem acompanha cinema brasileiro e internacional, essa circulação é importante porque muitas dessas obras não encontram imediatamente distribuição comercial ampla.
Festivais oferecem a oportunidade de conhecer produções antes que sejam incorporadas às listas de tendências ou aos catálogos mais populares do streaming.
Às vezes, a experiência mais interessante de um festival está justamente em entrar numa sala sem reconhecer o nome do filme.

Entre para comentar e avaliar
Crie sua conta para participar da comunidade do Fora do Quadro.
Entrar