Uma programação com 380 títulos parece, num primeiro momento, um problema.

É justamente o contrário.

A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo acontece entre 15 e 29 de outubro espalhada por 57 salas, espaços culturais e CEUs, reunindo filmes de 93 países.

A dimensão funciona porque a Mostra nunca foi construída para ser consumida por inteiro.

Ela existe para permitir caminhos.

Uma pessoa pode passar duas semanas vendo apenas cinema asiático. Outra pode escolher os grandes vencedores de festivais. Outra pode procurar cinema brasileiro independente, restaurações ou diretores que nunca tiveram distribuição comercial relevante no país.

Esse caos organizado é parte da identidade do evento.

Cannes, Veneza e filmes que ainda não chegaram ao circuito

A edição de 50 anos reúne títulos como Fjord, Palma de Ouro de Cristian Mungiu, e Mulher Desconhecida, vencedor do Leão de Ouro em Veneza.

Também inclui O Outro Lado das Redes, novo filme de Aaron Sorkin, a animação Ray Gunn, de Brad Bird, e uma programação brasileira extensa.

James Gray é um dos homenageados e recebe o Prêmio Leon Cakoff, além de apresentar Paper Tiger e participar de atividades durante o festival.

A abertura reúne Paper Tiger e Sul de Teerã, de Kleber Mendonça Filho.

Cinquenta anos também significam arquivo

A Mostra não está tratando o aniversário apenas como número.

A organização lançou um acervo digital com mais de 11 mil filmes e cerca de 8 mil registros de cineastas que passaram pelo evento durante suas cinco décadas, além de preparar exposições, livros e uma retrospectiva ligada à própria história.

O cartaz da 50ª edição foi criado por James Gray.

Tudo isso ajuda a colocar a Mostra numa posição interessante: celebrar passado sem transformar o festival num museu.

Eventos cinematográficos só continuam relevantes quando aquilo que ainda não conhecemos ocupa mais espaço do que aquilo que já reconhecemos.

Talvez essa seja a melhor forma de entrar numa programação de 380 títulos.

Não tentar assistir ao “melhor filme”.

Escolher alguma coisa que você jamais procuraria sozinho.